O evento público de encerramento do projeto ROKAMURAE-AZ teve lugar a 23 de julho na Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, na Horta, Faial, onde investigadores e autoridades regionais apresentaram os dados científicos mais recentes sobre a rápida propagação da macroalga invasora Rugulopteryx okamurae nos Açores.
A sessão foi aberta pelo Secretário Regional do Mar e das Pescas e pelo Secretário Regional do Ambiente e da Ação Climática, que destacaram os impactos ecológicos e socioeconómicos da invasão. Rui Martins, Diretor Regional das Políticas Marítimas, apresentou o evento e, posteriormente, encerrou a sessão.
No âmbito do WP1 – Conhecimento, dispersão e identificação de zonas de expansão potencial, Mariana Ávila (Centro AIR) apresentou, em conjunto com João Faria (CIBIO), a análise da distribuição e sazonalidade dos encalhes. O seu trabalho combinou levantamentos de campo, imagens de satélite e contribuições da ciência cidadã para rastrear quando e onde se acumulam grandes volumes de biomassa de algas ao longo da costa dos Açores.
Os resultados mostram que a R. okamurae provoca extensos encalhes no verão, impulsionados pela fragmentação sazonal, com pontos críticos evidentes a surgirem em várias ilhas. A abordagem demonstrou um forte potencial para sistemas de alerta precoce, oferecendo às autoridades uma ferramenta prática para antecipar grandes eventos de deposição.
As conclusões apresentadas ao longo do evento confirmaram que a R. okamurae continua a expandir-se rapidamente por todo o arquipélago. Desde a sua primeira deteção em São Miguel, em 2019, a espécie foi registada em quase todas as ilhas dos Grupos Oriental e Central, com sinais de chegada ao Grupo Ocidental. Em várias zonas costeiras, forma densos tapetes subaquáticos até aos 40 metros de profundidade, substituindo as macroalgas nativas e reduzindo a biodiversidade bentónica.
Os investigadores também apresentaram uma elevada adaptabilidade às condições ambientais locais, um crescimento acelerado na primavera e grandes encalhes no verão que afetam os ecossistemas costeiros, as atividades recreativas e o turismo.
O projeto identificou oportunidades para transformar a biomassa invasora em produtos úteis, incluindo biocarvão para melhoria do solo, potenciais aditivos para redução de metano na ração de ruminantes e compostos bioativos com propriedades antioxidantes, antibacterianas e anti-inflamatórias. No entanto, a contaminação por plástico em alguns encalhes (particularmente em Porto Pim e Porto do Alcaide) pode limitar certas aplicações.
Nas condições atuais, os investigadores concluíram que a erradicação não é viável, reforçando a necessidade de monitorização contínua, deteção precoce, mitigação de impactos e estratégias de valorização sustentável. Um representante da Agência Portuguesa do Ambiente apresentou também a Estratégia Nacional para a Gestão de Rugulopteryx okamurae, alinhando os resultados do projeto com a política nacional.
O projeto ROKAMURAE-AZ foi encomendado pelo Governo Regional dos Açores, através da Secretaria Regional do Ambiente e da Ação Climática, gerido pela Direção Regional de Políticas Marítimas e desenvolvido por equipas da Universidade dos Açores (OKEANOS – Instituto de Investigação em Ciências Marinhas, CIBIO-Açores – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, IITAA – Instituto de Investigação em Tecnologias Agrárias e Ambiente, e cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais), com a colaboração do IMAR – Instituto do Mar e do Centro AIR.
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[PC, 24 de julho de 2026]